Need for Speed Underground
“Este é o seu sonho?” - essa é a pergunta feita ao jogador no primeiro vídeo do modo história de Need for Speed Underground. Essa pergunta é feita após a vitória da primeira corrida na qual controla-se um carro da marca Acura, modificado ao melhor estilo aerofólio de Palio, numa corrida contra carros da Toyota e da Mitsubishi. Um sonho bem modesto para a série NFS (Need for Speed) que até então sempre teve como carros dos sonhos Ferraris, Porsches, Lamborghinis, McLarens entre outros.
A verdade é que NFS Underground é simplesmente uma tentativa de surfar na onda de carros modificados que existia na época graças ao sucesso dos primeiros filmes da franquia Velozes e Furiosos. O jogo nitidamente não tentou ser um grande jogo de corrida, a tentativa era mesmo entrar na moda, ser atraente para o jovem da época. A qualidade da experiência ficou em segundo plano e, consequentemente, NFS Underground é um jogo ruim.
O modo principal do jogo é uma espécie de modo história, nomeado aqui de modo Underground, no qual o jogador precisa vencer 112 eventos (normalmente corridas, mas eventualmente eventos de drift e contra relógio). A progressão é bem simplista: vença as corridas, compre melhorias, vença mais corridas libere outras melhorias para serem compradas. O jogo segue assim sem surpresa até o seu fim, que sem pressa deve chegar em 10 horas de jogo.
Existem pequenos vídeos onde se passa a história em si. São vídeos curtos e bem ruins, aparecem apenas no começo e no final da jornada dos tais 112 eventos. Fora esses vídeos, a progressão se limita a entrar no menu de corridas e escolher o próximo evento. Mundo aberto e exploração da cidade só viria em Need For Speed Underground 2, que não é objeto dessa análise.
Nas corridas em si o jogador normalmente enfrenta 3 adversários e a vitória é sempre obrigatória para progredir. A física é inconsistente, bater em muros em altíssima velocidade não é problema algum, já encostar de leve em carros que estão passando pelo cenário causa cenas cinematográficas de veículos voando (com direito a câmera lenta).
Para aniquilar de vez a chance de qualquer diversão, existe um péssimo sistema de elástico onde os carros adversários estarão sempre perto do jogador. Essa mecânica deixa sem importância o que acontece no começo e no meio das corridas, já que no final todos os competidores estarão próximos. A decisão é sempre nos últimos metros da corrida e se nada acontecer a vitória vem fácil, mas se houver uma colisão a derrota é inevitável, ou seja, a pouca dificuldade do jogo vem dessas colisões de fim de corrida. Atrapalha ainda mais o fato que carros do trânsito aparecem muitas vezes fora do campo de visão do jogador, criando um fator aleatório para derrota muito frustrante.
Pistas novas surgem o tempo todo mas são muito repetitivas. Todos os eventos são noturnos e todos os eventos utilizam os mesmos trechos da mesma cidade, cada vez arranjados em ordens diferente, o que deixa progredir nesse jogo especialmente tedioso.
A trilha sonora tem lugar de bastante destaque, e conta com músicas de peso da época. O problema aqui é a baixa quantidade de músicas, o que faz com que a mesma faixa seja repetida incontáveis vezes sendo assim mais um elemento tornando esse jogo extremamente enjoativo.
Outro ponto importante é a péssima seleção de carros, abarrotada de carros pouco interessantes como Pegeout 206, Ford Focus e Honda Civic. A progressão do modo história libera mais carros de maneira lenta, o que vai fazer com que o jogador passe mais da metade do jogo dirigindo os carros inicialmente disponíveis. O comportamento de todos os carros na pista é muito similar, deixando a escolha muito mais estética do que prática. O que vais deixar o jogador mais rápido são as melhorias e não o modelo de carro escolhido.
Entrar na moda de carros modificados lá em 2003 certamente visava resultados comerciais, hoje em dia pouco importa se a desenvolvedora conseguiu ou não retorno na época, mas construindo um jogo dessa forma Need for Speed Underground se tornou um jogo tedioso e frustrante que não vale a pena ser jogado.



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