02/05/2025

Need for Speed Underground - Uma frustrante viagem de Pegeout para 2003

 

Need for Speed Underground



“Este é o seu sonho?” - essa é a pergunta feita ao jogador no primeiro vídeo do modo história de Need for Speed Underground. Essa pergunta é feita após a vitória da primeira corrida na qual controla-se um carro da marca Acura, modificado ao melhor estilo aerofólio de Palio, numa corrida contra carros da Toyota e da Mitsubishi. Um sonho bem modesto para a série NFS (Need for Speed) que até então sempre teve como carros dos sonhos Ferraris, Porsches, Lamborghinis, McLarens entre outros.

A verdade é que NFS Underground é simplesmente uma tentativa de surfar na onda de carros modificados que existia na época graças ao sucesso dos primeiros filmes da franquia Velozes e Furiosos. O jogo nitidamente não tentou ser um grande jogo de corrida, a tentativa era mesmo entrar na moda, ser atraente para o jovem da época. A qualidade da experiência ficou em segundo plano e, consequentemente, NFS Underground é um jogo ruim.

O modo principal do jogo é uma espécie de modo história, nomeado aqui de modo Underground, no qual o jogador precisa vencer 112 eventos (normalmente corridas, mas eventualmente eventos de drift e contra relógio). A progressão é bem simplista: vença as corridas, compre melhorias, vença mais corridas libere outras melhorias para serem compradas. O jogo segue assim sem surpresa até o seu fim, que sem pressa deve chegar em 10 horas de jogo.


 

Existem pequenos vídeos onde se passa a história em si. São vídeos curtos e bem ruins, aparecem apenas no começo e no final da jornada dos tais 112 eventos. Fora esses vídeos, a progressão se limita a entrar no menu de corridas e escolher o próximo evento. Mundo aberto e exploração da cidade só viria em Need For Speed Underground 2, que não é objeto dessa análise.

Nas corridas em si o jogador normalmente enfrenta 3 adversários e a vitória é sempre obrigatória para progredir. A física é inconsistente, bater em muros em altíssima velocidade não é problema algum, já encostar de leve em carros que estão passando pelo cenário causa cenas cinematográficas de veículos voando (com direito a câmera lenta).

Para aniquilar de vez a chance de qualquer diversão, existe um péssimo sistema de elástico onde os carros adversários estarão sempre perto do jogador. Essa mecânica deixa sem importância o que acontece no começo e no meio das corridas, já que no final todos os competidores estarão próximos. A decisão é sempre nos últimos metros da corrida e se nada acontecer a vitória vem fácil, mas se houver uma colisão a derrota é inevitável, ou seja, a pouca dificuldade do jogo vem dessas colisões de fim de corrida. Atrapalha ainda mais o fato que carros do trânsito aparecem muitas vezes fora do campo de visão do jogador, criando um fator aleatório para derrota muito frustrante.

Pistas novas surgem o tempo todo mas são muito repetitivas. Todos os eventos são noturnos e todos os eventos utilizam os mesmos trechos da mesma cidade, cada vez arranjados em ordens diferente, o que deixa progredir nesse jogo especialmente tedioso.


 

A trilha sonora tem lugar de bastante destaque, e conta com músicas de peso da época. O problema aqui é a baixa quantidade de músicas, o que faz com que a mesma faixa seja repetida incontáveis vezes sendo assim mais um elemento tornando esse jogo extremamente enjoativo.

Outro ponto importante é a péssima seleção de carros, abarrotada de carros pouco interessantes como Pegeout 206, Ford Focus e Honda Civic. A progressão do modo história libera mais carros de maneira lenta, o que vai fazer com que o jogador passe mais da metade do jogo dirigindo os carros inicialmente disponíveis. O comportamento de todos os carros na pista é muito similar, deixando a escolha muito mais estética do que prática. O que vais deixar o jogador mais rápido são as melhorias e não o modelo de carro escolhido.

Entrar na moda de carros modificados lá em 2003 certamente visava resultados comerciais, hoje em dia pouco importa se a desenvolvedora conseguiu ou não retorno na época, mas construindo um jogo dessa forma Need for Speed Underground se tornou um jogo tedioso e frustrante que não vale a pena ser jogado.


7 Days to End with You - Uma experiência diferente e criativa.

 

7 Days to End with You


    Jogo bem misterioso no qual o jogador assume o papel de uma pessoa que acorda em uma casa e não se lembra de absolutamente nada. Nessa casa há uma mulher falando um idioma desconhecido e cabe ao jogador, pouco a pouco, ir descobrindo o que cada palavra significa para compreender o que está acontecendo.

    O estilo aqui é uma já clássica mistura entre novela visual e quebra-cabeça, o que é diferente aqui é a premissa de não se saber absolutamente nada sobre o idioma que está sendo falado pela personagem que está praticamente o tempo falando ao lado do jogador, o acompanhando para todos os cantos de uma pequena casa que é o cenário onde se passa essa história.


    Descobrir a história inclusive é o objetivo central desse jogo, então não vale a pena adiantar absolutamente nada do que se trata. A qualidade da história em si não é maravilhosa, não é inovadora em nenhuma medida, mas funciona e é suficiente para esse jogo.

    A parte jogável dessa novela gira em torno de uma ferramenta que é uma espécie de dicionário aonde o próprio jogador vai preenchendo conforme vai adivinhando o que cada palavra significa e ao ter uma palavra preenchida essa palavra começa a aparecer “traduzida” em todas as falas seguintes. O jogo nunca conta se o que foi adivinhando está certo ou errado, cabe novamente ao jogador ir se corrigindo pelos contextos das conversas que vão surgindo.

    O jogo em si é bem curto, para essa análise foi gasto o tempo de 4h30min e isso foi suficiente para zerar 100%. Apesar de não ser uma obra-prima, a execução é muito boa, afinal de contas a intenção aqui é ter uma experiência de uma tarde, de no máximo alguns dias.

    Tecnicamente não há problemas, o jogo é um indie japonês com muita simplicidade na sua produção. São poucos cenários, poucos personagens, e não há animações ou vozes, mas isso é o suficiente para a proposta que se tem aqui.

    Apesar de não trazer uma experiência inesquecível, esse jogo é sim recomendado tanto pela sua simplicidade que funciona quanto, e principalmente, por sua mecânica única de ir buscando significados e desvendando um idioma conhecido.


 

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